11 abril 2018

sandeep parmar


The Octagonal Tower

History is the love that enters us through death; its discipline is grief.’
—Anne Michaels

I

Whatever rage has come through these sealed doors,
and scalded us black and frayed, we have no name for.
We cannot explain the quiet, sleepless shift of whispers,
a procession of shrouds along our corridors,
or the diverted eyes that cloud to see a row of winter oaks outside
shocked in their dendritic fizz. And if we do know it,
it is in the blood, in this terrible synapse of sky, in the road away.
From our house we drive down through a sunken valley
where, like a crypt, it is forever the hour of the dead.

You have always worn the wheel, pushed your hands and wrists
through its axes, as though it were a shackle. Driven, hunched.
It is the same—the sting of yucca and eucalyptus, a vein of pink
bougainvillea purged in hot pulses off rooftops—a fragrant massacre—
and the same steady road you drive every time afraid to speak,
afraid to ask when I will leave you alone in that house with your wife.
I translate your favourite song in my mind: This song of mine, no one will sing.
This song of mine that I sing myself will die tomorrow with me.

An October night, 1975. A sudden rain has liquefied the earth.
Mud isn’t enough. There is a word you use that means more than mud,
it is the sound of a foot, sunken to the ankle, pulling itself out—
the awful suck of uprooting. Like a scream, it is the fear of standing
so long that you might stay and sink forever. This sound trails
behind you and your brother as you walk the fields one last time.
You will leave and not return for ten years, to marry my mother
who you’ve not yet met. Your four bare feet make an agreement
with the earth, to remember. It prints its own response in your shadows.

A torre octagonal

“A história é o amor que nos entra através da morte; a sua disciplina é a dor.”
-Anne Michaels

I

Qualquer que seja a ira que tenha passado por estas portas seladas,
e nos tenha escaldado a negro de devolvido pedaços, não temos nome para ela.
Não conseguimos explicar o silente e insone intercâmbio de sussurros,
uma procissão de mortalhas ao longo dos nossos corredores.
Ou os olhos divergentes que se enevoam para ver uma fileira de carvalhos invernais lá fora
congelados na sua dendrítica efervescência. E, se é que sabemos,
está no sangue, nesta terrível sinapse de céu, no caminho que se afasta.
A partir de nossa casa conduzimos por um vale fundido
onde, como numa cripta, é sempre hora de morte.
Sempre usaste a roda, empurrando as tuas mãos e pulsos
através dos seus eixos, como se fosse uma grilheta. Impelido, curvado.
É o mesmo – o ferrão da yuca e o eucalipto, uma nervura de rosada
buganvilia purgada em pulsos quentes dos telhados – um flagrante massacre -
e o mesmo caminho firme por onde conduzes sempre que tens medo de falar,
medo de perguntar quando te deixarei sozinho nessa casa com a tua mulher.
Traduzo a tua canção favorita na minha mente : esta minha canção que ninguém cantará.
Esta canção minha que eu canto sozinha morrerá amanhã comigo.

Uma noite de outubro, 1975. Uma chuva repentina tornou líquida a terra.
Barro não é suficiente. Há uma palavra que usas que significa mais que barro,
é o som de um pé, fundido até ao tornozelo, saindo por si mesmo -
o horrível som da fratura. Como um grito, é o medo a deter-se
tanto tempo que podias ficar ali e fundir-te para sempre. Este som arrasta-se
atrás de ti e do teu irmão enquanto caminhas pelos campos pela última vez.
Sairás e não regressarás durante dez anos para casares com a minha mãe
a quem não conheceu ainda. Os teus quatro pés descalços fazem um acordo
com a terra, para recordar. Imprime a sua própria resposta nas tuas sombras.