20 outubro 2018

ada mondès


Je suis
de passage
chez les autres avec les autres pour les autres dans les autres
sans les autres
je m’attache à quelques corps à quelques fripes
l’envie de transmettre parfois saisit
Je suis
de mèche avec la révolution essentielle du tournesol
profondément pour le printemps.


Estou
de passagem
em casados outros com os outros para os outros dentro dos outros
sem os outros
Ligo-me a todos os corpos às roupas usadas
o desejo de transmitir por vezes conseguido
Estou
em conluio com a revolução essencial do girassol
profundamente par a primavera


17 outubro 2018

martine vallu


Le Possible
s’il n’y a pas d’oiseau pour l’emmener
où ira le vent levé
où se per­dra l’âme éga­rée
allons cama­rades de la glèbe
ne tré­pas­sons pas trop tôt
ayons le cou­rage d’arpenter le pos­sible


O Possível

caso não haja pássaro para o direccionar
aonde o vento acontece
onde se perderá o engano de alma
vamos camaradas da gleba
não trespassemos demasiado cedo
haja coragem de conseguir o possível



14 outubro 2018

mina süngern


Des tourterelles s’envolent d’une cheminée

Derrière six carreaux lenticulés d’éclaboussures,
la pluie contre la façade opposée
s’est oubliée de part et d’autre d’un lampadaire :
deux traînées blanches s’étirent vers le sol
et sous les larmiers redondent
des stalactites de propreté à deux dimensions.

Le toit de l’immeuble est un bandeau colorié
de traits rouges et bruns où se dressent
sous le ciel blanc et par grappes parallélépipédiques
les souches des cheminées en ciment. Autour
des mitres à forme de lanterne reposent
impassibles des tourterelles.

Mol dimanche rampant, pétrifié
dans les lignes et les volumes où dominent
sans intermédiaires l’anthracite et le fer ;
à l’encontre de tout principe c’est ton épaisse
stabilité qui provoque, au bain de l’observation,
la dissolution de tes éléments.

Quand soudain – renversement de la formule –
les tourterelles prennent leur essor, rompant
d’un délié vif sur la blancheur la statique du tableau.
Alors grains, creux, traces, brèches et reliefs
retrouvent de leur mordant les contours, solide
leur dédain ; et mon organisme une ivre caducité.

Rolas voando de uma lareira

Atrás de seis ladrilhos lenticulares de respingos,
a chuva contra a frente oposta
esqueceu-se de cada lado de um candeeiro:
duas faixas brancas estiram-se para o chão
e sob a calha de gotejamento
estalactites de limpeza bidimensionais .
os tocos da lareira em cimento. À volta
das mitras em forma de lanterna repousam
impassíveis as rolas.

O telhado do edifício é uma faixa colorida
de linhas vermelhas e castanhas onde se erguem
sob o céu branco e através de cachos paralelipípedos
os tocos da lareira em cimento. À volta
das mitras em forma de lanterna repousam
impassíveis as rolas.

Mole domingo rastejante rastejando, petrificado
nas linhas e volumes onde dominam
sem intermediários a antracite e o ferro;
contra todos os princípios, é a tua espessa
estabilidade que causa, no banho da observação,
a dissolução dos teus elementos.

Quando subitamente - inversão da fórmula -
as rolas se inebriam, partindo
em viva beleza na brancura a estática do quadro.
Então grãos, cavidades, traços, brechas e relevos
reencontram roendo os contornos, sólido
o seu desdém; e o meu organismo uma bêbada caducidade.

11 outubro 2018

laura domingo agüero


1

Que sea otoño.

Que las hojas confirmen el beneficio de la muerte.

Que haya frío y llueva. Mucho.

Que las voces del silencio

se derramen.

Que te quedes.

Porque es otoño.

Y que sea otoño cada vez.

Siempre.



1

Que seja outono.

Que as folhas confirmem o benefício da morte.

Que haja frio e chova. Muito.

Que as vozes do silêncio

se derramem.

Que fiques.

Porque é outono.

E que seja outono todas as vezes.

Sempre.


10 outubro 2018

kenia cano


El reverso

Tiene estrategias que no conoces. Piensas que es una cuestión de docilidad y de dar la vuelta, pero no es así. No sabes qué verso desde el final de la página subirá hasta aquí para picarte los ojos. No trae idea de suicidio, no hereda los males visibles de tu casa. No tiene que ver con el miedo ni con los sueños en donde no llegas nunca a la estación.

El reverso se burla de tus sueños, de las rajaduras en el piso de tu casa y el temblor. Está aunque lo ignores. Entre el cuerpo de tu abuela y la sábana de flores. Entre su piel y la pijama que conserva su olor. El reverso no respira por ti ni por tus hermanos. Te ignora pero tú no debes ignorarlo a él.
¿Forma parte de una fibra en tu corazón? ¿Está parado en la fila del colegio? Se ríe de tus decisiones pero no es el mal. Posibilita lo que no concebías y no daña con ello. No aumenta la creciente del río, no se lamenta, no tiene prisa, no se esconde bajo tu chamarra de cuero. No se anuncia y no tiene lista de verbos favoritos. No te condiciona pero tampoco te mira como crees.

Si fuera silencio habría tapado tu boca, tampoco es sorpresa. Es lo que es. No la parte interna del cuenco ni su base, tampoco los poros fríos en la cerámica. No se manifiesta visiblemente pero no hay molécula ni mínima constitución que desconozca. No está bajo la tapa ni en la parte posterior del ojo. No ubica el nervio óptico, no invierte ninguna imagen.

No opaca la piel de las manzanas. Consume la cera de las velas. Se traga las horas con gula y confía demasiado en su imagen.
¿Tiene oído para los pájaros? ¿Le importa tu propio tiempo? ¿La profunda gana de crecer del tabachín? ¿Leerá la línea de Malinowsky dibujada en el muro de tu casa?:

Se acordará el viento de la hierba y de nosotros.

El reverso no distingue gama de grises. No puede diferenciar entre el grafito y la tinta china. Le dan igual las sombras. No le incomoda el negro de los funerales, no conoce el peso de los hombros. Nunca ha visto un bulto lanzarse por la ventana. No tiene iniciativa, tampoco voluntad. No escribe malos poemas ni poéticas para despertar a Li Po. No fabrica nada mal hecho, no acumula ni guarda nada para sí. Permite que te veas de otro modo. No conoce la bondad pero quizá intervenga en el crecimiento. No tiene culpa ni compromiso. Conoce al derecho y al revés tu casa. Cada uno de tus pensamientos, pero no los atesora ni los aborrece.

El reverso te sostiene pero no moldea tu gravedad. Va a contratiempo. No le preocupa la eternidad, un goteo mal arreglado en la cocina. Tampoco la cara leal de tus amigos. No está oculto a tus ojos, pero nada de tus pertenencias le conviene. Tampoco le interesa el pan que no vendes, el que se endurece; ni la madera que astilló tus dedos ni los actos que te pusieron el gesto rudo. No sabe de cuerpos adheridos ni de heridas que se distienden. No tiene principio ni fin. Tampoco se enreda en la mitología. No se anuncia en visiones y jamás conoció el rostro de Blake. No guió ninguno de sus carbones. No caligrafió ninguno de sus textos, no lamió nunca su torso.

No sabe nunca cómo detenerse.


O reverso

Tem estratégias que não conheces. Pensas que é uma questão de docilidade e de dar a volta, mas não. Não sabes que verso desde o fim da página subirá até aqui para te picar os olhos. Não traz ideia de suicídio, não herda os males visíveis da tua casa. Não tem a ver com o medo nem com os sonhos aonde nunca chegas à estação.

O reverso está a marimbar-se dos teus sonhos, das rachas no andar da tua casa e das tremuras. Está mesmo que o ignores. Entre o corpo da tua avó e o lençol de flores. Entre a sua pele e o pijama que conserva o seu cheiro. O reverso não respira por ti nem pelos teus irmãos. Ignora-te mas não o deves ignorar.
Faz parte de uma fibra no teu coração? ¿Está parado na fila do colégio? Ri-se das tuas decisões mas não é o mal. Possibilita o que não concebias e com isso não prejudica. Não aumenta a crescente do rio, não se lamenta, não tem pressa, não se esconde sob a tua samarra de couro. Não se anuncia e não tem lista de verbos favoritos. Não te condiciona nem tão pouco observa como acreditas.

Se fosse silêncio teria tapado a tua boca, nem sequer é surpresa. É o que é. Não a parte interna da tigela nem a sua base, sequer os portos frios na cerâmica. Não se manifesta visivelmente mas não há molécula nem mínima constituição que desconheça. Não está debaixo da tampa nem na parte posterior do olho. Não situa o nervo ótico, não inverte qualquer imagem.

Não opaca a pele das maçãs. Consome a cera das velas. Engole as horas com gula e confia demasiado na sua imagem.
Tem ouvido para os pássaros? Importa-lhe o teu próprio tempo? A profunda gana de crescer do tabachín? Lerá a linha de Malinowsky desenhada na parede da tua casa?:

Lembrar-se-á o vento da erva e de nós.

O reverso não distingue gama de cinzentos. Não consegue diferenciar entre o grafite e a tinta da china. As sombras são-lhe todas iguais. Não lhe incomoda o negro dos funerais, não conhece o peso dos ombros. Nunca viu um vulto atirar-se pela janela. Não tem iniciativa, sequer vontade. Não escreve maus poemas nem poéticas para despertar Li Po. Não fabrica nada mal feito, não acumula nem guarda nada para si. Permite que te vejas de outro modo. Não conhece a bondade mas talvez intervenha no crescimento. Não tem culpa nem compromisso. Conhece o direito e o avesso da tua casa. Cada um dos teus pensamentos, mas não os valoriza nem os subestima.

O reverso sustém-te mas não molda a tua gravidade. Anda em contratempo. Não o preocupa a eternidade, um gotejar insolucionado na cozinha. Sequer a cara leal dos teus amigos. Não está oculto aos teus olhos, mas nada dos teus pertences lhe convém. Sequer lhe interessa o pão que não vendes, o que endurece; nem a madeira que estilhaçou os teus dedos nem os atos que te puseram o gesto rude. Não sabe de corpos aderidos nem de feridas que se distendem. Não tem principio nem fim. Sequer se enreda na mitologia. Não se anuncia em visões e nunca conheceu o rosto de Blake. Não guiou nenhum dos seus carvões. Não caligrafou qualquer dos seus textos, não lambeu nunca o seu torso.

Não sabe nunca como se deter.

08 outubro 2018

isabelle lévesque


Oh,
ce désordre de disparaître !

Affolé dans le soir, l’insecte fou ne sait
la solitude. Nuée. Il laissera trace noire.
Suivre le fil. Signes, bâtons. Mandibules.
Nous lisons les lettres inverses,
le mot se tend ― lettre dernière.

La nuit incline le ciel.
Trop de silence a pesé sur les ailes fines,
brûlées. Le soir. En son rideau de braises
guide une ligne courbant
ton dos fragile.

Tu recommences,
dépouillant les armes : blanc sera
ce que fut l’aube. Et commence condamné
le retour des nombres :
le résultat n’est pas
le jour.


Oh,
essa desordem de desaparecer!

Atormentado em noite, o inseto louco conhece a
solidão. Multitude. Deixará uma marca preta.
Seguir o fio. Sinais, varas. Mandíbulas.
Lemos as cartas reversas,
a palavra estende-se - última letra.

A noite inclina o céu.
Demasiado silêncio pesando sobre as finas asas
queimadas. Em noite. Na sua cortina de brasas
guia uma linha que curva
as tuas frágeis costas.

Recomeças,
depondo as armas: branco será
o que foi alba. E começa condenado
o retorno dos números:
o resultado não é
o dia.


05 outubro 2018

samantha barendson


Trains

Le paysage défile comme un Jackson Pollock, vaches en pointillés, nuages étirés, taches tournesols et rails déformés. La fenêtre froide se colle à mon oreille et j’entends tatactater la bête humaine.

Tatactatoum, tatactatoum, tatactatoum.

Je ne suis pas Eva Marie Saint, je n’ai ni la mort aux trousses ni les baisers de Cary Grant. Il n’y a derrière la vitre que ces paysages de cartes postales, cette campagne d’après-guerre, ces empreintes ferroviaires : une vache, un château, une église, un âne, une vieille mobylette ou un train à la retraite, de l’herbe à perte de vue, des champs de coquelicots, un village suspendu, la dame-blanche, un mouton ou peut-être une chèvre, un autre coquelicot, une jupe en corolle, une canette de soda, un plastique, une poubelle, un néon, un flash.

Tatactatoum, tatactatoum, tatactatoum.

Je ne suis pas Celia Johnson dans Brève rencontre à attendre jeudi prochain, jeudi prochain, jeudi prochain, les amours interdites dans un petit café. Il n’y a derrière la glace que d’amers paysages qui se répètent et défilent et reviennent et repassent et tournent et recommencent et les vaches se ressemblent et la neige dissimule les pas des loups, des ogres et des sorcières.

Tatactatoum, tatactatoum, tatactatoum.

Je ne suis pas Marilyn Monroe dans Certains l’aiment chaud. Il n’y a devant mes yeux que d’immenses pâtis, rocailles et herbes folles que les cornes ébahies ruminent méthodiquement.

Tatactatoum, tatactatoum, tatactatoum.

Défilent les kilomètres, le Nord est encore loin.

Cent-cinq virgule huit, nous arriverons demain.


Comboios

A paisagem desfila como um Jackson Pollock, vacas en pontilhismo, nuvens alongadas, manchas girassóis e carris deformados. A janela fria cola-se-me no nariz e oiço a agitação do animal humano.

Pouca terra, pouca terra.

Não sou Eva Marie Saint, não estou A Intriga Internacional nem recebo os beijos de Cary Grant. Para lá do vidro, paisagens de postal, sinos de entre-guerras, impressões ferroviárias: uma vaca, um castelo, uma igreja, um burro, uma velha motoreta ou um comboio a vapor, ervas infinitas, campos de papoilas, aldeias suspensas, a autoestrada fantasma, ovelhas, talvez cabras, outra papoila, uma saia em corola, uma lata, uma bolsa de plástico, uma lâmpada de néon, um flash.

Pouca terra, pouca terra.

Não sou Celia Johnson no Breve Encontro esperando a próxima quinta-feira, a próxima quinta-feira, a próxima quinta-feira, o amor proibido num café. Por trás do vidro, amargas paisagens que se repetem e desfilam e voltam a passar e giram e recomeçam e as vacas são semelhantes e a neve oculta os passos de lobos, ogres e bruxas.

Pouca terra, pouca terra.

Não sou Marilyn Monroe em Quanto Mais Quente Melhor. Diante dos meus olhos imensos pastos, pedras e ervas daninhas que cornos estupefactos ruminam, metodicamente.

Pouca terra, pouca terra.

Desfilam os quilómetros, o Norte ainda distante.

Cento e cinco vírgula oito, chegaremos amanhã.


02 outubro 2018

joana medellín herrero


Receta #19

Quiero hundirme
o en su defecto…
Aceptar la flotación insonme
como quien se resigna
al hediondo jarabe
para bajar la fiebre.
Desguanzar cada articulación
que me puebla las carreteras óseas.
Acariciar el ansia
como a un gato arisco.
Mientras hunde las garritas
en el regazo frío inhabitable.

Quiero serenar la rabia.
Guardarla en una cajita y visitarla
sólo de cuando en cuando.
Lamer las paredes del encierro
en que me he metido
a voluntad de carcelero.
Oprimirme los botones
del desconcierto.

Reconocer que lo mío
nunca ha sido
reconocer el techo,
como a los árboles,
es un concepto que no me cabe
en la cerebrita de hojarasca
que me habita el cráneo.

Receita #19

Desejo a desmoronação
ou caso não haja ….
Aceitar a flutuação insone
como quem se resigna
ao horroroso xarope
para baixar a febre.
Canibalizar todas as articulações
que povoam as minhas estradas ósseas.
Acariciar a ansiedade
como a um gato arisco.
Enquanto afunda as pequenas garras
no inabitável regaço frio.

Quero acalmar a raiva
Guardá-la numa caixinha e visitá-la
só de vez em quando.
Lamber as paredes da clausura
em que me meti
a vontade do carcereiro.
Ser oprimida pelos botões
do desconcerto.

Reconhecer que a minha cena
nunca foi
reconhecer o teto
ou as árvores,
é uma ideia que não é minha
na folha da neurose
instalada no meu crânio.


29 setembro 2018

leydy loayza mendoza


Aproximaciones a la locura

Desde aquí la veo, no estando su piel en ninguna piel de mujer
Ella me ha dicho que no es del todo humana
Un cuadro de Vincent Van Gogh relata su condición efímera de musa invisible

No la tengo esta noche y ninguna melodía abre sonidos en el silencio mayor que se ha alojado en mi cabeza, acorralando sus indelebles últimas palabras sobre mi patio interior

Ha sido niña cuando habitaba aquella casa que ahora la arroja
No quiero dejarla entrar, aunque la espina de sus ojos me recorra el alma, ya es tarde

Una lluvia de poemas ha inundado mi sala y una mujer de otro tiempo ha pintado las paredes que ella rayó, sus pinceles están curando las amargas distancias pero la prisa con que viajan los dolores va lacerando poco a poco todo lo que soy

Hay siete primaveras acostadas en esta nueva casa, vendrás, vendrás, vendrás...
hormigas peregrinas me advierten en presagio discreto que en aquella madrugada en que ella venga ya no estaré yo.

Aproximações à loucura

Vejo-a daqui, a sua pele não está em nenhuma pele de mulher
Disse-me que não é completamente humana
Um quadro de Vincent Van Gogh relata a sua condição efémera de musa invisível

Não a tenho esta noite e nenhuma melodia abre sons no silêncio maior que se alojou na minha cabeça, encurralando as suas indeléveis últimas palavras sobre o meu pátio interior

Foi menina quando morava nessa casa que agora a deita fora
Não quero deixá-la entrar mesmo que a espinha dos seus olhos me percorra a alma, já é tarde

Uma chuva de poemas inundou a minha sala e uma mulher de outro tempo pintou as paredes que ela riscou, os seus pincéis estão a curar as amargas distâncias mas a pressa com que viajam as dores vai lacerando pouco a pouco tudo o que sou

Há sete primaveras deitadas nesta nova casa, virás, virás, virás…
formigas peregrinas advertem-me em presságio discreto que na madrugada em que ela vier já não estarei eu.

26 setembro 2018

silvia belcastro


Reparto di neurologia

Si addormenta Emanuela,
felice di ascoltare
le ultime note di Chopin.

Nei sotterranei si consuma
il dramma sempre uguale,
violento come un bel volto di donna.

Il grande pioppo sorride
coi suoi rami di marzo
e la notte dalle luci

azzurre culla il silenzio
dei matti con incomprensibili
arabeschi.

Departamento de neurologia

Emanuela dorme,
feliz em ouvir
as últimas notas de Chopin.

Nos subterrâneos consuma-se
o drama sempre igual,
violento como um bonito rosto de mulher.

O grande álamo sorri
com seus ramos de março
e a noite das luzes

berço azul o silêncio
dos loucos com incompreensíveis
arabescos.

23 setembro 2018

karina cartaginese


^

en una ciudad galopada de amapolas, una estrella de macramé, muralina los males de ojos y se arroja a si misma hacia seis puntos cardinales. los puños se abren, son mapas de un guerrero expandido. en la noche del salto el misterio es cintura ninya para desaparecer. donde nadie sabe. es preciso ahí

ahora la oscuridad es tu doble de riesgo. tu doble sisal de sierpe. la pregunta donde te balanceas escucha pasos en el techo felino infrarrojo donde ves todo lo que ves no viendo. ceguera a cielo abierto a campo suelto tomás la forma del animal que te suelta en la frontera de una selva. otra selva desbocada en la ciudad galopada de amapolas


^
numa cidade galopada por papoilas, uma estrela de macramé, inscreve no mural as maleitas dos olhos e atira-se a si própria para seis pontos cardeais. os punhos abrem-se, são mapas de um guerreiro extensivo. na noite do salto o mistério é cintura de moda para desaparecer. de onde ninguém sabe. é preciso aí

agora a escuridão é o teu dobro de risco. o teu duplo sisal de serpente. a pergunta em que te balanças ouve passos no teto felino infravermelho onde vês tudo o que vês não vendo. cegueira a céu aberto a campo solto adquires a forma do animal que te solta na fronteira de uma selva. Outra selva descontrolada na cidade galopada por papoilas


20 setembro 2018

martina vidaić


Ptica, šljivin plod

tog su ljeta šljive dozrijevale unatrag.
meso im je bilo modro
pa zeleno
pa posvijetlilo u cvijet.

tamno voće najbrže dozrije nijekanjem,
blijedim zidovima u koje se iva umatala
pred svaki tulum.

ivini su starci učili djecu da se mozak
utiskuje ručno. ivin je brat imao velike
ruke, po jedna polutka u svaku šaku,

sve po pola sa sestrom.

zrenje je postojalo da nas učini drvenima,
napuni pupovima od grla do grla.

šljive su pucale od samopouzdanja, koštice
padale kao okoštale suze, smrvljeni kralješci,
iz svake je niklo po jedno savijeno stablo.

poslije, ivin brat
objesio se na stablu
koje je također moglo biti šljiva.

plod tamnog učenja zrio je u zaborav.

vidjela sam, smrt je neobično velik primjerak
najobičnije privatne pomrčine,
ima ih posvuda, rastu, vidjela sam,
i na rubovima namještaja.

poslije su mi se oči smrkle, ništa nije bilo
dovoljno tamno da bi se uočilo.

odlučila sam: omotat ću oči slijepom sobom
i žestoko žestoko šutjeti,
brati mrkli muk,
mučati tamnom polutkom mozga
da posvijetli u ljubav,

ali tog su ljeta
zidovi bili slabo savitljivi.
stalno su se kore pupova razbijale o beton,
kao da će
netko propjevati.


Pássaro, fruto de uma ameixeira

nesse verão as ameixas amadureciam ao contrário.
a sua carne era azul
depois verde
e a seguir florescia iluminada.

a fruta escura amadureceu logo em negação
junto às paredes pálidas onde eva se vestia
antes das festas.

os pais de eva pensaram os seus filhos o cérebro
era gravado à mão, o irmão de eva
tinha mãos grandes, um hemisfério em cada punho,

partilhava metade de tudo com a sua irmã.

e tal amadurecimento fez-se para nos endurecer
para nos encher de brotos de ameixas de uma ponta à outra.

confiantes, as ameixas rasgavam-se, os seus ossos
caíam como lágrimas obstinadas, vértebras quebradas,
uma árvore escangalhada brotando por cada uma delas.

mais tarde, o irmão de eva
pendurava-se na árvore
que podia muito bem ser uma ameixeira.

a fruta do saber escuro madurando no esquecimento.

via-a, morte, uma mostra inusualmente grande
do mais ordinário, penumbra pessoal,
para poderem ser vistas em todo o lado, crescem, vi-as
até nos cantos dos móveis.

depois disso os meus olhos enevoaram-se, nada era
suficientemente escuro para distinguir.

decidi : envolver os meus olhos no quarto fechado
vorazmente, vorazmente calar,
arrancar o taciturno silêncio morto,
ficar letárgica no hemisfério cerebral escuro
e assim brilhar em amor depois,

mas nesse verão
as paredes torpemente se dobravam
todo o tempo, a carne da ameixa rasgava-se contra o cimento
como se alguém
tentasse rebentar em canção.