03 julho 2022

isabel hualde

 

Campo de refugiados


Como si una puerta giratoria

abriera la opción de otro paisaje


arriba el telón dices

alguna estrella brillará

en el escenario

un dios un abrazo un sueño…


pero eso no sucederá hoy


nuestro futuro se diluye hacia atrás

sabemos que las calles de ayer

y las calles de hoy

nunca serán las calles de mañana


el campamento se desdibuja

en linternas que parpadean y ojos febriles


de nuevo la casa en tierra de nadie

almohada diente ratón.


nos movemos.



Campo de refugiados


Como se uma porta giratória

abrisse a opção de outra paisagem


em cima o telão diz:

uma estrela brilhará

no palco

um deus um abraço um sonho...


mas isso não acontecerá hoje


o nosso futuro dilui-se para o anterior

sabemos que as ruas de ontem

e as ruas de hoje

nunca serão as ruas de amanhã


O acampamento desvanece-se

em lanternas que piscam e olhos febris


novamente a casa na terra de ninguém

travesseiro dente-rato.


movemo-nos.


02 julho 2022

mary karr

 

Sinners Welcome


I opened up my shirt to show this man

the flaming heart he lit in me, and I was scooped up

like a lamb and carried to the dim warm.

I who should have been kneeling

was knelt to by one whose face

should be emblazoned on every coin and diadem:

no bare-chested boy, but Ulysses

with arms thick from the hard-hauled ropes.

He’d sailed past the clay gods

and the singing girls who might have made of him

a swine. That the world could arrive at me

with him in it, after so much longing—

impossible. He enters me and joy

sprouts from us as from a split seed.




Bem-vindos pecadores


Abri a blusa para mostrar a este homem

o coração ardente que acendeu em mim, fui erguida

como um cordeiro e levaram-me ao diminuto calor.

Diante de mim que devia estar ajoelhada

ajoelhou-se alguém cujo rosto

deveria ser brasão em todas as moedas e diademas:


nenhum jovem de peito descoberto, antes Ulisses

com os braços firmes de tanto puxar cordas.

Navegou para além dos deuses de barro

e das raparigas cantoras que teriam feito dele

um porco. Que o mundo possa chegar até mim

com ele, depois de tanto ansiar -

impossível. Ele entra em mim e o gozo

brota dos dois como de uma semente aberta.


01 julho 2022

dariela torres

 

1.

Enternecida ante la noche y la demencia.

Escupí sobre mi tumba y retrocedí un poco.


Sólo para ver la carencia que degolló

el cuello cicatrizado de quienes juraron

haber visto nacer una ciudad.


Yo tengo el recuerdo de un cielo envuelto en llamas,

mientras aquella sombra se atragantaba

con palabras que aún recorren mi medula espinal.


Dijo:

que arrancaría mi piel de los huesos,

que arrancaría mi vulva para dársela de comer a los perros.


El zumbido de una alarma sísmica en mis oídos, para siempre.


Me reconocí como una pequeña criatura que lame

y relame


sus propias

cicatrices.



1.

Ternurenta ante a noite e a demência.

Cuspi na minha campa e retrocedi um pouco.


Só para ver a carência que cortou

o pescoço cicatrizado de quem jurou

ter visto nascer uma cidade.


Tenho a lembrança de um céu em chamas,

enquanto aquela sombra se engasgava

com palavras que ainda percorrem a minha medula espinhal.


Disse:

que arrancaria a pele dos meus ossos,

que arrancaria a minha vulva para dá-la a comer aos cães.


O zumbido de um alarme sísmico nos meus ouvidos, para sempre.


Reconheci-me como uma pequena criatura que lambe

e relambe


as suas próprias

cicatrizes.


30 junho 2022

liliane giraudon

 

V

Plan d’ensemble sur le repas des techniciens

Chaque travail s’autodétruit dans sa conclusion


Quelques fleurs oubliées sur un bord de fenêtre


Interprètes des viscères interprètes des oiseaux

La table est un dispositif

Les cycles sont la zone frontalière


Pour le casting c’est la porte à droite !

(Ici placer Benjamin et son art de lire

Ce qui n’a jamais été écrit)


Effacer jusqu’à croire qu’on a fini par résoudre

Pour se rassurer s’interdire d’éprouver

Marcher à reculons afin de croire qu’on est seul

Ne pas croire qu’on va s’interdire de vivre


Ce que la nonne accumule la sépare

Elle répond à l’envoi d’un diadème de plumes par un gâteau de noix


Désordre des astres et des planètes


Une pensée qui ne serait qu’une sensation de pensée

J’ai coupé mes cheveux et je ne demande plus rien



V

Plano geral sobre a refeição dos técnicos

Cada trabalho autodestrói-se na sua conclusão


Algumas flores esquecidas numa borda de janela


Intérpretes das vísceras intérpretes das aves

A mesa é um dispositivo

Os ciclos são a zona fronteiriça


Para o casting é a porta à direita!

(Aqui colocar Benjamin e a sua arte de ler

O que nunca foi escrito)


Apagar até acreditar que acabámos por resolver

Para nos sentirmos seguros para não vivenciar

Andar para trás para pensar que estamos sozinhos

Não acreditar que estamos interditos de viver


O que a freira acumula separa-a

Ela responde ao envio de um diadema de penas por um bolo de nozes


Desordem das estrelas e dos planetas


Um pensamento que seria apenas uma sensação de pensamento

Cortei o meu cabelo e não peço mais nada


29 junho 2022

mónica licea

 

El pájaro


Esta mañana mi perro me despertó con un pájaro muerto en el hocico.

Lo trajo a mi cama y se sentó.

Nos miramos largo rato.

Tomé el ave entre mis manos,

intenté cerrar sus ojos sin resultado.


Miró hacia el otro lado de la ventana, donde el arbusto reverdecía.

Han pasado dos semanas y su cuerpo sigue endureciéndose

en un rincón de la casa.


¿Es mi hermano el cadáver del pájaro que no puedo enterrar?




O pássaro


Esta manhã o meu cão acordou-me com um pássaro morto no focinho.

Trouxe-o para a minha cama e sentou-se.

Olhamo-nos durante muito tempo.

Coloquei o pássaro entre as minhas mãos,

tentei fechar-lhe os olhos sem resultado.


Olhou para o outro lado da janela, onde o arbusto reverdecia.

Passaram-se duas semanas e o seu corpo continua a endurecer

num canto da casa.


É meu irmão o cadáver do pássaro que não consigo enterrar?


28 junho 2022

carmen alicia pérez

 

Corazón de lámpara


A Derly, la que ofreció su corazón…


Cuelga un corazón de las manos de una madre,

se escurre entre los dedos

represado en el latido de la oscura selva,

carne hinchada, agrietada.

¿Para qué gritar un dolor, si no hay oídos que puedan recibirlo?

De noche una mujer lamenta los muertos,

de día ofrece un pedazo de pan para los hambrientos,

arrastra consigo un costal de heridas

que cose con la impaciencia de una niña,

lo arroja al río con la furia de años

cuando la sed de otros la espera.

Hay una voz en las profundidades

que soporta el peso de muchas voces,

en lo más recóndito…

perturba los sueños de los que no tienen paz,

aún después de la muerte…

encuentra oídos para descansar,

corazón de lámpara en las puertas de los lisiados.




Coração de lâmpada


A Derly, que ofereceu o seu coração...


Está pendurado um coração das mãos de uma mãe,

escorre entre os dedos

represado no palpito da escura selva,

carne inchada, rachada.

Para quê gritar uma dor, se não há ouvidos que a possam receber?

De noite uma mulher lamenta os mortos,

de dia oferece um pedaço de pão para os famintos,

arrasta consigo um saco de feridas

que costura com a impaciência de menina,

atira-o no rio com a fúria de anos

quando a sede dos outros a espera.

Há uma voz nas profundezas

que sustenta o peso de muitas vozes,

no mais recôndito ...

perturba os sonhos dos que não têm paz,

mesmo depois da morte...

encontra ouvidos para descansar,

Coração de lâmpada nas portas dos aleijados.


27 junho 2022

laura castillo

 

Augurio


Las mujeres suelen medir

la proximidad de la lluvia

en la ondulación

que proyectan sus pañolones.

Cuando llega el momento,

sus caderas se abisman por la ranura de las puertas,

y como eco en el fondo de un cántaro

resuena en los oídos de los niños

el vocablo extenso de las madres.




Augúrio


As mulheres tendem a medir

a proximidade da chuva

na ondulação

projectada pelas suas vestes.

Quando chegar a hora,

os seus quadris fendem-se pela abertura das portas,

e como eco no fundo de um cântaro

ressoa nos ouvidos das crianças

o vocábulo extenso das mães.


26 junho 2022

alison castillo barboza

 

Influencer de un hipertexto


La utopía sabe a detenimiento

y yo llevo la posmodernidad rasgada entre la piel

vivo de desnudar a los muertos

en una casa añeja

donde el tren conduce amapolas

hasta su extinción


Tengo mercurio en la comisura de los labios

y el mal de las piernas débiles

soy de la sociedad farmacológica

el reverso de mis uñas guarda humedad


Nací enrollado al cordón

que me ata a la eutanasia

y al narcisismo

No puedo levantarme de la silla

soy un cátaro aislado en la barra de notificaciones

el aliento a naftalina

en el buscador de Instagram

es un auto sabotaje

que me flagela.


He huido del manicomio

de los subcontratados

sobreviviente de un televisor en llamas

con diagnósticos clínicos

recitados de memoria.



Influencer de um hipertexto


A utopia tem um gosto especial

levo a pós-modernidade rasgada entre a pele

vivo de despir os mortos

numa casa envelhecida

onde o comboio conduz papoilas

até à sua extinção


Tenho mercúrio na comissura dos lábios

e o mal das pernas fracas

sou da sociedade farmacológica

a parte de trás das minhas unhas retém humidade


Nasci enrolado no cordão

que me prende à eutanásia

e ao narcisismo

Não consigo sair da cadeira

sou um cátaro isolado na barra de notificações

o hálito a naftalina

na pesquisa Instagram

é uma auto-sabotagem

que me flagela.


Fugi do manicómio

dos subcontratados

sobrevivente de um relevisor em chamas

com diagnósticos clínicos

recitados de cor.


25 junho 2022

rosaura mestizo mayorga

 

Displicencia


Sucede que pierdo el apetito

si el insecto zumba alrededor del plato

cuando los vapores áureos de la exquisita noche

sobre el pavimento y la hierba dibujan

un graffiti

de estrellas enlutadas

desfilando frente a un féretro sin nombre.


Vuelvo entonces, a la anterior arista

a mi plato.


Venero el paso-vuelo ingenuo del insecto,

admiro su bella música que me acompaña.




Displicência


Acontece que perco o apetite

se o inseto zune em volta do prato

quando os vapores áureos da rara noite

sobre o pavimento e a relva desenham

um graffiti

de estrelas enlutadas

desfilando diante de um caixão sem nome.


Volto então, à anterior aresta

no meu prato.


Venero o passo-vôo ingénuo do inseto,

admiro a sua bela música que me acompanha.


24 junho 2022

andrea guerrero

 

Canción para un viaje


Quiero saber si el diablo cantará una canción de cuna en mi lecho de muerte.

Me pregunto si la muerte llegará con su única túnica o apartará un vestido lleno

de flores.

Mis restos esparcidos en medio de un bosque se abruman ahora con su soledad

futura.

Mis cenizas lanzadas al agua tienen miedo como una niña que no conoce el mar

y ve una fotografía de los seres que habitan sus abismos insondables.

Si el viaje es en madera, yo sí quiero flores.

Quiero llevar un vestido blanco y el cabello suelto.

Voy a llegar a la orilla de un mar sin gente y correré descalza.

Me detendré y caminaré mar adentro

y en la lejanía y la espuma dejaré de ser.

No deben descansar las palabras,

hay ruidos más grandes y fuertes.


Cuando vuelva quiero ser agua.




Canção para uma viagem


Quero saber se o diabo vai cantar uma canção de embalar no meu leito de morte.

Pergunto-me se a morte chegará com a sua única túnica ou levará um vestido cheio

de flores.

Os meus restos espalhados no meio de uma floresta enchem-se agora com a sua solidão

futura.

Minhas cinzas lançadas na água têm medo como uma menina que não conhece o mar

e vê uma fotografia dos seres que habitam os seus abismos insondáveis.

Se a viagem for em madeira, quero flores.

Quero levar um vestido branco e o cabelo solto.

Vou chegar à beira de um mar sem gente e correrei descalça.

Deter-me-ei e caminharei até ao dentro do mar

e na distância e na espuma deixarei de ser.

Não devem descansar as palavras,

há ruídos maiores e mais fortes.


Quando voltar, quero ser água.


23 junho 2022

patricia luque pavón

 

Vajilla de un único plato


Declino la navaja. Mi sexo es benigno y puede

cortarse con las manos.


Lejos de la culpa alguien lo merece.


Reparte el alimento con justicia. Bendice el apetito.




Louça de um único prato


Declino a navalha. O meu sexo é benigno e pode

cortar-se com as mãos.


Longe da culpa, alguém o merece.


Reparte o alimento com justiça. Abençoa o apetite.


22 junho 2022

muriel pic

 

Sei Shonagon se réveille


Sei Shonagon a rêvé d’une île

de La pêcheuse de New Haven

des poulpes d’Hokusai

et des pêcheuses en apnée

Elle reprend

ses Notes de chevet :

énumérer est un acte sans émotion ?

Au contraire, c’est un souffle retenu

autour de l’ordinaire

le creux dans un oreiller

Que le destin des livres soit de soutenir

les têtes

entre le sommeil et le songe

le jour et la nuit

le corps et l’âme

le faux et le vrai

ce qui s’oppose et ne s’oppose pas

voilà l’image concrète de la littérature

que donne en l’an mille

chose après chose

Sei Shonagon

dont on ne sait que le surnom

entre le mont Kurama et la rivière Kamo.

J’apprécie peu et je trouve sans intérêt

les femmes qui mènent une vie honnête

se satisfont d’un bonheur conjugal de surface

et n’attendent aucune joie de l’avenir.

On ne sait rien de la manière dont Sei Shonagon

acheva sa vie

mais on lui prête une misère à la mesure de sa dureté

à la mesure de la méchanceté de ses dons

envers tout ce qui nous aliène

nous force

et voudrait nous empêcher

en l’an mille comme maintenant

de répéter la liberté.




Sei Shonagon desperta


Sei Shonagon sonhou com uma ilha

de A Pe(s)cadora de New Haven

polvos de Hokusai

e das pescadoras em apneia

Ela retoma

as suas Notas de cabeceira:

enumerar é um acto sem emoção?

Pelo contrário, é um sopro contido

em torno do ordinário

as covas numa almofada

Que o destino dos livros seja apoiar

as cabeças

entre o sono e o sonho

o dia e a noite

o corpo e a alma

o falso e o verdadeiro

o que se opõe e não se opõe

eis a imagem concreta da literatura

que dá no ano mil

uma coisa atrás de outra

Sei Shonagon

de quem só se sabe o apelido

entre o monte Kurama e o rio Kamo.

Não aprecio muito e não acho interessante

as mulheres que levam uma vida honesta

satisfazendo-se com uma felicidade conjugal superficial

sem estarem à espera de qualquer alegria do futuro.

Nada sabemos sobre a forma como Sei Shonagon

acabou a sua vida

mas conferimos-lhe uma miséria à medida da sua dureza

à medida da maldade dos seus dons

contra tudo o que nos aliena

nos força

e gostaria de nos impedir

no ano mil como agora

de repetir a liberdade.


21 junho 2022

albanella chávez turello

 

Desde una silla roja


Parada estoy,

de raso vestida

frente a vos

mientras, miro el reloj

compruebo la hora, acomodo la urna

ennegrezco las aguas

y con mis manos

doy de comer al hambre


después

sentada estoy, pero frente a mi

blando el cuchillo, compruebo la hora

acomodo la urna

limpio mis manos

y calmada

enmudezco el hambre


ahí están y gotean

el aire antiguo

mi saliva azul

una luna en forma de miedo

el cuchillo que brilla


después

todo eso trata de minar la silla roja


mi boca azul pone las bombas


la manzana me mira

habla, llama, grita

veo y sé que tengo

la manzana entre manos, pero

ella aún me mira

la silla ya explotó


el cuchillo fue guardado entre mis faldas


y sólo espera recorrer el aire

quecircundalaarrugaquerodeamiboca



A partir de uma cadeira vermelha


parada estou,

vestida de cetim

diante de vós

enquanto, olho o relógio

verifico a hora, acomodo a urna

enegreço as águas

e com as minhas mãos

dou de comer à fome


depois

sentada estou, mas diante de mim

brando a faca, verifico a hora

acomodo a urna

limpo as minhas mãos

e calma

emudeço a fome


lá estão e gotejam

o ar antigo

a minha saliva azul

uma lua em forma de medo

a faca que brilha


depois

tudo isso trata de minar a cadeira vermelha


a minha boca azul põe as bombas


a maçã mira-me

fala, chama, grita

vejo e sei que tenho

a maçã entre as mãos, mas

ela ainda me mira

a cadeira já explodiu


a faca foi guardada entre minhas saias


e só espera percorrer o ar

quecircundaarugaquerodeiaaminhaboca


20 junho 2022

yana luci lema

 

WAÑUSHKAKUNA


Wañushkakunaka mana allpa ukupilla kanchu. Paykunaka ishkay pachakunapi kawsanakun. Wakinpika, mishkita, mishki naranjakunata mikunkapak shamunlla. Chayshuk pachapika paykuna munashka ayakunawan parlanllami, nin ukllashpa, ñuka purikunra mamaku.


OS MORTOS


Os mortos não estão debaixo da terra. Eles podem partir o tempo em dois: às vezes vêm, comem mel e laranjas doces; Lá na outra vida falam com os espíritos que querem, diz a minha mãe, que me abraça ainda.



MASKAKUNI


Tawka tutakuna chawpipi pakirishka; kanta karullaktakunapi maskashpa purishkani. Imata shinashayari. Kay hawapachapash kanpak ñawikunalla hunta rikurikunka. Manachu ishkantilla pakta kana kanchik.


À TUA PROCURA


Noites inteiras partidas ao meio, procurando-te longe da tua natureza. O que faço? Se este céu está feito com os teus olhos. Se só nós dois somos necessários.


ARRAYÁN


Shukkunapak ñawipi mana ima rikurishppash, ñukanchik ñawipika llakishka apukuna tyanakunmi, ninkuna. Shina kakpichari kay hatun llaktapi kanwan tuparini, ruku taytalla, kanta shutichini. Tamyawan shamuni; kampak, suni suni sapikunapak yakuta, mishi mikunata apamushpa. Shuk kintipash kaypi shayakunmi.


MAGNÓLIA ANDINA


nde para outros não há nada, habitam as aves-do paraíso quisermos quiser, dizem. Será por isso, que nestas terras urbanas te encontro, pai antigo, e te nomeio. Venho com a chuva; trago água e frutas para as tuas raizes infinitas. Um colibri é testemunha.