20 março 2017

susan urich

Mis palabras dejarán de hablarme algún día.

Será gradual, como la rotación o el envejecimiento -aunque envejezca de martillazo ante la idea de quedarme muda-. Mis poemas se acortarán y en consecuencia me crecerá una sordera permeable: nada sin poesía será escuchado.

Merezco que mis palabras no tengan derecho a matarme de silencio súbito, así deba tolerar su desamor hasta arrugarme

Pero el silencio es la parte más exacta y filosa del sonido

El silencio será mi poema perfecto.


Um dia, as minhas palavras deixarão de me falar.

Será gradual, como a rotação ou o envelhecimento – mesmo que envelheça à martelada perante a ideia de me mudar. Os meus poemas tornar-se-ão diminutos e em consequência crescer-me-á uma surdez permeável: nada sem poesia será ouvido.

Mereço que as minhas palavras não tenham direito a matar-me de silêncio súbito, mesmo que tenha de tolerar o seu desamor até ficar com rugas.

Mas o silêncio é a parte mais exata e afiada do som

Será o silêncio o meu perfeito, poema



14 março 2017

verónica aranda

XV

Una mujer está asando batatas
con los rescoldos de la lumbre.
Por su pelo aceitado caen acordes de sitar.
Cada pliegue del sari con que cubre su vientre
anuncia la matriz, la reclusión.

Se puede confundir el tintineo de ajorcas
con el de la llovizna.
Canta y en cada nota la quietud
converge en la tahona que olía a albaricoques.
Canta y fragmenta vértice o frontera.

La noche es una herida de colmillos de mono
que empieza a supurar.


XV

Está uma mulher a assar batatas
no borralho do lume.
Pelo seu cabelo oleado escorrem acordes de sitar.
Cada prega do sari com que cobre o ventre
anuncia a matriz, a reclusão.

Pode-se confundir o tilintar de guizos
com o do chuvisco.
Canta e em cada nota a quietude
converge na padaria que cheirava a damascos.
Canta e fragmenta vértice ou fronteira.

A noite é uma ferida de dentes de macaco
que começa a supurar.

13 março 2017

sara a. palicio

MANIFIESTO

No reconozco la indulgencia de los otros
ni comparto la férrea voluntad del miedo
sobre las anchas sombras que su sed proyecta.

Tiendo los brazos a las infinitudes de la luz
y llamo patria a las heridas de mi cuerpo.


MANIFESTO

Não reconheço a indulgência dos outros
nem partilho a férrea vontade do medo
sobre as largas sombras que a sua sede projeta.

Estendo os braços às infinitudes da luz
e chamo pátria às feridas do meu corpo.


10 março 2017

anna gual

L’hivernar de l’ós

Em vaig enamorar
del cordó umbilical.

Em donava els requeriments,
me’ls oferia a la boca.

Ara visc en l’enyor perpetu
de totes les vides
a què m’hauria pogut amarrar
amb aquell conducte
de carn i visions.

La meva mare
encara no sap
de les pintures rupestres
que li vaig dibuixar
a la paret uterina.

O hibernar do urso

Apaixonei-me
pelo cordão umbilical

Dadivava-me os requisitos
oferecia-mos à boca.

Vivo agora a imbuição perpétua
de todas as vidas
a que me teria podido amarrar
nesse canal
de carne e visões

A minha mãe
ainda não sabe
das pinturas rupestres
que lhe vou desenhar
na parede uterina




06 março 2017

francisca pérez morales

Prólogo o teoría de cuerdas

Si el Hombre es 5
Entonces el Diablo es 6
Y si el Diablo es 6
Entonces Dios es 7
Pixies

Las tríadas se componen de tres grupos que tienen relación entre sí, se complementan y sin la existencia de una, no es posible la existencia de la otra. Son movimiento, e intercambio constante de vibración, de rabia contra su coetáneo.

Se necesitan tres puntos no alineados para determinar un plano, y son tres los elementos base en diferentes aplicaciones (tres colores primarios, tres planos metafísicos, tres potencias de la inteligencia humana, tres estados de la materia). Para mantener el equilibrio de la familia convencional, se usan tres elementos; padre a la cabeza, madre e hijo como base del triángulo. Paralelo a esto, la regla de tres es una regla que no se debe romper bajo ningún ámbito, y debe repetirse cuantas veces sea posible, por lo que se suma un grupo más; vida-muerte-resurrección.
La finalidad es la descomposición de las triangulaciones desde dentro, abriendo las grietas de los espacios oscuros, de la regla moral familiar, de lo que se ve correcto socialmente. Las palabras se unen, como el nido de un ave que funciona críptico entrelazado para dar calor, crear incendios. Los circuitos son como el hielo, y poseen la propiedad cortopunzante del vidrio roto. Un vidrio que cuando se une, encaja a la perfección en alguna ventana, reemplazando ese umbral parchado por el padre con cinta de embalaje.

Poner atención a las señales, a los pájaros que hablan y que con sus ojos negros reflejan el vacío o el espacio entre los cuerpos que no está. El ave es quizás el posible gobernador de un mundo que se reconstruye, tan bruscamente, que lo hace sin tomar en cuenta su propia esencia extinta. Los ornitólogos lo saben, cada pájaro tiene su propia historia construida como el eterno observador de estas murallas. Con una mitad afuera, y otra encerrada en la Atmósfera.

La primera cuerda viene desde la entraña, desde el fondo de la tierra, y se expande hasta los faros, reflejándose hacia alguna mujer que se mire y solloce porque la mujer suele hacerlo, y también conversa con las escobas y mimetiza su cuerpo con las madejas de lana, siempre pisando estrías, aunque sus piernas se llenen de unos ojos amarillos de perro muero.
La segunda cuerda forma un vitral que puede ser peligroso si no son bien encajadas las piezas. Su dimensión, está repleta de falsas verdades. Esto es resultado de que el padre toma control de todas las acciones, desde respirar hasta el acto de escribir. Por esto, la segunda de las cuerdas parece ser un gemido doloroso, que termina en el parto o la reconstrucción de la casa, niños enfilados de tres en tres.
La tercera cuerda se manifiesta como la última respuesta vibratoria. Visualizada como un niño que se embarra el rostro y detiene el movimiento del plano.
La tercera cuerda está escrita con el objetivo de matar al padre.


Prólogo ou teoria das cordas

Se o Homem é 5
Então o Diabo é 6
E se o Diabo é 6
Então Deus é 7”
Pixies

As tríades compõem-se de três grupos que têm relação entre si, complementam-se e sem a existência de uma, não é possível a existência da outra. São movimento, e intercâmbio constante de vibração, de raiva contra o seu coetâneo.

São precisos três pontos não alinhados para determinar um plano, e são três os elementos base em diferentes aplicações (três cores primárias, três planos metafísicos, três potências da inteligência humana, três estados da matéria). Para manter o equilíbrio da família convencional, usam-se três elementos; pai à cabeça, mãe e filho como base do triângulo. Paralelamente a isto, a regra de três é uma regra que não se deve romper em nenhum âmbito, e deve repetir-se quantas vezes for possível, pelo que se soma mais um grupo ; vida – morte -ressurreição.
A finalidade é a decomposição das triangulações desde dentro, abrindo as gretas dos espaços escuros, da regra moral familiar, do que se entende correto socialmente. As palavras unem-se, como o ninho de uma ave que funciona críptico entrelaçado para dar calor, criar incêndios. Os circuitos são como o gelo, e possuem a propriedade cortante do vidro partido. Um vidro que quando se une, encaixa na perfeição em qualquer janela, substituindo esse umbral mal amanhado pelo pai com fita adesiva.

Prestar atenção aos sinais, aos pássaros que falam e que com os seus olhos negros refletem o vazio ou o espaço entre os corpos que não está. A ave é talvez o a possível governadora de um mundo que se reconstrói, muito bruscamente, que o faz sem levar em conta a sua própria essência extinta. Os ornitólogos sabem disso, cada pássaro tem a sua própria historia construida como o eterno observador destas muralhas. Com uma metade fora, e outra encerrada na Atmosfera.

A primeira corda vem da entranha, do fundo da terra, e expande-se até aos faróis refletindo-se para qualquer mulher que se mire e soluce porque a mulher costuma fazê-lo, e também conversa com as escovas e mimetiza o seu corpo com as madeixas de lã, pisando estrias embora as suas pernas se encham de certos olhos amarelos de cão morto.

A segunda corta forma um vitral que pode ser religioso se as peças não forem bem encaixadas. A sua dimensão está repleta de falsas verdades. Isso resulta do pai ter o controlo de todas as ações, desde respirar até ao ato de escrever. Por isso, a segunda das cordas parece ser um gemido doloroso, que termina no parto ou na reconstrução da casa, crianças alinhadas de três em três.

A terceira corda manifesta-se como a última resposta vibratória. Visualizada como uma criança que se enlameia o rosto e detém o movimento do plano.

A terceira corda está escrita com o objetivo de matar o pai.



03 março 2017

federica bologna

In cucina si piange in silenzio,
si urla piano per non far sbattere le padelle
che poi ti sente dalla camera.
Si entra nel letto solo a mattina presto
una volta tranquille:
lo si impara da bambine
che la mamma deve dormire sul divano
per non svegliare l’altra metà del letto.


Na cozinha chora-se em silêncio
uiva-se em suave para que não batam as sertãs
que te ressoam no quarto.
Vamos para a cama só pela manhã
no chegamento da tranquilidade:
aprendemos desde crianças
que a mãe tem de dormir no sofá
para não acordar a outra metade da cama.


27 fevereiro 2017

yanina audisio


Alguna vez te rascaste donde no picaba
no supiste qué hacer con los brazos
Encendida la luz y prendida el agua
las ventanas abiertas sobre los pantanos
La sombra en la espalda como un río crecido

Hay que hacer algo con el cuerpo
detrás están quedando varios difuntos
Te tocó como si te leyera dos veces
una lluvia pequeña armando su charco
La boca cerrada pájaro detenido

Podrías decirlo de muchas maneras
siempre se está solo dentro del cuerpo
no acabo de conocer el olor de mi casa
Sin decirlo aún algo se cae o se levanta
la correspondencia del aire sobre el corcel desbocado

Inadecuación de la lengua sobre las cosas
pájaro suelto cerrada la boca.


Alguma vez te coçaste fora das lascas
não soubeste o que fazer com os braços
Acesa a luz e presa a água
as janelas abertas frente aos pântanos
A sombra nas costas como um rio grosso

Há que fazer qualquer coisa com o corpo
nele, atrás, vivem vários defuntos
Entrou-te como se te lesse duas vezes
uma morrinha preparando o seu charco
A boca fechada pássaro detido

Poderias dizer tal de maneiras várias
estamos sempre sós dentro do corpo
não chego a conhecer o cheiro da minha casa
Sem o pronunciar mesmo que alguma coisa caia ou se levante
a correspondência do ar no corcel deslocalizado

Inadequação da língua sobre as coisas
pássaro solto fechada a boca.



23 fevereiro 2017

denisse buendía


Padre

De niña los cuervos tenían alma
dormían en un sembradío de ojos
incubando promesas para los ciegos
pero llegaron tus manos ásperas e inmensas
a asfixiarlo todo, cada semilla, cada parpado
y los condenaste a ir por la eternidad arrancando ojos para sembrarlos.

De niña los columpios eran cohetes
la nostalgia se abrazaba irremediablemente a los ojos de un cometa
Me enseñaste como arañar silencios
Descubrí la medida que habitaba entre el vacío y tus ojos

De niña aprendí a borrar el abandono con manchas de migajón
A bailar desde la amnesia
El olvido es vicio de poetas
Aquello que no se puede dejar de deletrear
De esperar como quien espera la muerte
Esa diminuta franja donde Caín abraza a Abel
y nada sucede

De niña un diamante mágico que daba poder
Hubiera liberado a mi cuerpo roto y diminuto del fuego
De ser devorada una y otra vez
incluso ahora después de muerto, sigues devorándome

Crecí en la estirpe de los decapitados
Cuerpos descorazonados que caen en sí mismos infinitamente
Hablando el idioma del relámpago
Cauterizando telegramas de consuelo

De niña las azoteas del edificio tenían el peso de un aeroplano
eran del tamaño de mis brazos,
el amor olía a carne fresca en una alcantarilla.
Las flores que se desprendían del árbol
perdían su dimensión dentro de la casa
todo parecía un truco de magia
donde los hilos chillaban de tan fluorescentes
Y aun así, todos aplaudían

De niña quedarnos a solas era como entrar a una escuela vacía
Con el aroma penetrante de la infancia
Tétrica como la oscuridad que habitaba en el puño de tierra
que deje caer sobre tu tumba.


Pai

Em criança os corvos tinham alma
dormiam numa plantação de olhos
incubando promessas para os cegos
mas chegaram as tuas mãos ásperas e imensas
asfixiando tudo, cada semente, cada pálpebra
e condenaste-os a ir pela eternidade arrancando olhos para os semear.

Em criança os baloiços eram foguetes
a nostalgia abraçava-se irremediavelmente aos olhos de um cometa
Ensinaste-me como arranhar silêncios
Descobri a medida que habitava entre o vazio e os teus olhos

Em criança aprendi a apagar o abandono com manchas de barro
Bailando a partir da amnésia
O esquecimento é vício de poetas
Aquilo que não se pode deixar de soletrar
De esperar como quem espera a morte
Essa diminuta faixa onde Caim abraça Abel
e nada acontece.

Em criança um diamante mágico que conferia poder
Teria libertado o meu corpo estilhaçado e diminuto do fogo
De ser devorada uma e outra vez
inclusivamente agora depois de morto, continuas a devorar-me

Cresci na estirpe dos decapitados
Corpos descoroçoados que caem em si mesmos infinitamente
Falando o idioma do relâmpago
Cauterizando telegramas de consolo

Em criança os telhados do edifício tinham o peso de um aeroplano
eram do tamanho dos meus braços,
o amor cheirava a carne fresca numa sarjeta.
As flores que se desprendiam da árvore
perdiam a sua dimensão dentro da casa
tudo parecia um golpe de magia
onde os fios gritavam de tão fluorescentes
E mesmo assim, todos aplaudiam

Em criança ficarmos sozinhas era como entrar numa escola vazia
Com o aroma penetrante da infância
Tétrica como a escuridão que habitava no punhado de terra
que deixei cair sobre a tua campa.



22 fevereiro 2017

andrea abreu lópez

SEI LA TERRA E LA MORTE (Cesare Pavese)

Yo soy como la Tierra, siempre
sola, siempre viva. Siempre
gravitante. Siempre giratoria.
Siempre trescientos sesenta y cinco.
Y cuatro. Años bisiestos
y estaciones.

Fantaseo con la niña que duerme
en la otra cama. Se ha hecho amiga
de gallinas hacinadas y ratas
con ojos de sangre. Ella y yo
vivimos en una casa con muros
descubiertos, pilares enormes,
ventanas sin vidrios, alfileres en
las fotos, veneno para gatos.

Me quiere, pero me habla cerca
de la oreja y no consigo ver
lo que me dice. Todo porque soy
una mujer sin párpados ni boca.
Hueca.

Vacía como la Tierra.
Oscura como la Tierra


SEI LA TERRA E LA MORTE (Cesare Pavese)

Sou como a Terra, sempre
só, sempre viva. Sempre
gravitante. Sempre giratória.
Sempre trezentos e sessenta e cinco.
E quatro. Anos bissextos
e estações.

Fantasio com a criança que dorme
na outra cama. Fez-se amiga
de galinhas apinhadas e ratas
com olhos de sangue. Ela e eu
vivemos numa casa com paredes
destapadas, pilares enormes,
janelas sem vidros, alfinetes nas
fotos, veneno para gatos.

Gosta de mim, mas fala-me ao pé 
da orelha e não consigo ver
o que me diz. Tudo porque sou
uma mulher sem pálpebras nem boca.
Oca.

Vazia como a Terra.
Escura como a Terra



19 fevereiro 2017

juliane angeles

Policiales

Mi cactus ha muerto
Mi escritorio ha recuperado soberanía.
Mi taza de té ha vuelto arrepentida a su antiguo lugar
pero las autoridades cactáceas sospechan que tengo en la mira
comprar otro cactus para asesinarlo.


Policiais

O meu cacto morreu
A minha escrivaninha recuperou a soberania
A minha chávena de chá regressou arrependida ao seu antigo lugar
mas as autoridades cactóides suspeitam que tenho a intenção
de comprar outro cacto para o assassinar.





17 fevereiro 2017

daiana henderson

Roedor

El niño sacó la dentadura postiza
y llenó de monedas
el vaso de agua, a la orilla
de la mesa de luz de su abuelo.
Estaban más doradas que
ninguna, como pulidas.
Miento. Yo no lo vi,
solamente me lo contaron
y estoy segura de que, además,
la anécdota es mentira.
Pero dejen que me quede
con la filmación mental
de las monedas expulsando
finos hilos de luz
que se atan a las puntas del sol.
No me quiten eso.

Roedor

A criança tirou a dentadura postiça
e encheu de moedas
o copo de água, na ponta
da mesinha de cabeceira do seu avô.
Estavam mais douradas que
as outras, pareciam ter polimento.
Minto. Não vi isso,
apenas me disseram
e estou certa que, além do mais,
o conto é mentira.
Mas deixem que fique
com o filme mental
das moedas expulsando
finos fios de luz
que se atam às pontas do sol.
Não me tirem isso.