04 dezembro 2022

tj dema

 


Dreams


Dreams are evil

I prefer nightmares

They show you what goes on in here

Reflects what goes on out there


Dreams lie

They lead you down a path

Where white chocolate flows undammed

And mulberries fall unshaken from the trees


Nothing is less faithful

Less real

Or more untrue than a dream


And does every waking moment have to be so hard

I am tired of spending sleepless nights

Chasing hesitant tomorrows biding my time

Just to spend it mending broken things

That have no wish to be fixed


I will not spin and spin inside this skin

I will not mourn a future I never had

I refuse to bleed myself

For an almost reality rooted in the distant echoes

Of a once familiar voice

Chanting I know I can, I know I can

Because I know I can

Be the girl I am right now

Live the life I have right now

Choose to be the dream I am in right now


Maybe then it won’t be so hard

Just to breathe right now



Sonhos


Os sonhos são horríveis

Prefiro os pesadelos

Mostram o trânsito de dentro

Refletem o que acontece fora


Os sonhos mentem

Arrastam  por um caminho

Onde o chocolate branco flui sem peias

E as amoras caem sem abanar as átvores


Nada é menos fiel

Menos real

Ou mais incerto que um sonho


E todos os momentos de acordar são tão difíceis

Estou cansada de passar noites em insónia

Perseguindo manhãs confusas esperando o meu momento

Só para o gastar a consertando coisas partidas

Que não desejam ser reparadas


Não vou girar e girar dentro desta pele

Não vou chorar um futuro que nunca tive

Recuso-me a sangrar

Por uma realidade quase amarrada em ecos longínquos

Do que foi uma voz familiar

Cantando Sei que posso, sei que posso

Porque eu sei que posso

Ser a moça que agora sou

Viver a vida que tenho agora

Escolher estar no sonho em que estou agora


Talvez então são seja muito difícil

Apenas respirar agora mesmo


03 dezembro 2022

tolu agbelusi

 

Weight


Grandma didn’t love to see me with my head hung down.

When the chiding didn’t work (which was always), her

right palm would grab my chin, twisting my head up, right,

left, until it was her version of straight. I didn’t know

I was already trying to make myself invisible. Didn’t

understand that standing tall was a daily decision

I couldn’t relent from—however hard it seemed to choose

myself. She never asked what weight dropped it so. Not really

if words fell out looking like a question, she’d quickly add

more, or leave, like she couldn’t bear to hear another bad luck story,

like she’d seen too many heads hung low, knew too well how

that weight almost broke her. Same stone people use

to weigh the car down is what they use to hold it up, she’d say

and I didn’t understand. Until I did.



Peso


A avó não gostava de me ver com a cabeça cabisbaixa.

Quando a reprimenda não funcionava (o que acontecia sempre), a sua

mão direita apertava-me o queixo e alanvacava a minha cabeça para cima,

primeiro à direita, depois à esquerda,

Até ter a sua própria versão do que é certo.

Não sabia eu

que já tinha começado a tentar tornar-me invisível. Não

entendia que manter-me erguida era uma decisão diária

da qual não podia descuidar-me - por muito difícil que fosse escolher-me

a mim mesma. Ela nunca perguntou sobre o peso que eu carregava.

Não realmente

- se as palavras pareciam sair como uma pergunta, rapidamente agregava

algo mais ou ia-se, como se não suportasse ouvir outra história de má sorte,

como se tivesse visto muitas cabeças baixas e soubesse muito bem como

aquele peso quase a rompeu. A mesma pedra que te afunda

é também a que te sustenta, dizia ela

e para mim isso não era claro. Até o compreender.


02 dezembro 2022

gabriela atencio

 

Lobster

El sueño es una segunda vida

Gérard de Nerval, Aurelia


Tantos agostos amaneciendo en Beirut

bajo los escombros de un lenguaje mutilado


Esta noche en la que no soy hombre ni dios

desearía hacer carne los dominios de la locura

ir a dormir con el exoesqueleto de frazada


Aurelia si basara mi vida en un solo dogma

rezar Gérard de Nerval fue un sueño

si la memoria no fuera un caldero hirviendo

ni los escombros de los hombres palabras

para las langostas en Beirut


Podría callarme podría no decir

un psiquiátrico es la visión más diáfana de la poesía

de un país

pero no soy hombre ni dios


Apenas se me ha confiado recoger los escombros

de agostos mutilados

volviendo todas las noches a las entrañas deshechas

de un país que reescribo

con la mantequilla caliente sobre la espalda

y alguien afilando los cubiertos sobre la mesa




Lobster

O sonho é uma segunda vida

Gérard de Nerval, Aurélia


Tantos agostos amanhecendo em Beirute

sob os escombros de uma linguagem mutilada


Esta noite em que não sou homem nem deus

gostaria de fazer carne os domínios da loucura

ir dormir com o exoesqueleto como manta


Aurelia se baseasse minha vida num único dogma

rezar Gérard de Nerval foi um sonho

se a memória não fosse um caldeirão a ferver

nem os escombros dos homens palavras

para as lagostas em Beirute


Poderia calar-me poderia não dizer

um psiquiatra é a visão mais diáfana da poesia

de um país

mas não sou homem nem deus


Apenas me foi confiado recolher os escombros

de agostos mutilados

voltando todas as noites às entranhas desfeitas

de um país que reescrevo

com manteiga quente nas costas

e alguém afiando os talheres sobre a mesa


01 dezembro 2022

sara de ibáñez

 

Atalaya


Sobre este muro frío me han dejado

con la sombra ceñida a la garganta

donde oprime sus brotes de tormenta

un canto vivo hasta quebrarse en ascuas.

Yo aquí mientras el sueño los despoja

y en sueños comen su mentida baya

para erguirse en las venas de la aurora

pábulo gris de su sonrisa vana;

yo aquí mientras los sabios inocentes

y los tranquilos de crujiente casa

durmiendo abajo, y aprendiendo el frío

de sus angostos mármoles descansan;

yo aquí volteado por el viento negro

que el olor de la noche desampara,

los cabellos fundidos en raíces

que van abriendo turbulentas lamas;

yo solo entre planetas condenados

que en busca de sus huesos se desmandan

la edad del mundo en esta pobre sangre

que entre las quiebras de su historia clama—

yo aquí turbado por la paz bravía

que con sagaces témpanos me aplaca,

sintiendo entre las médulas ausentes

el duro frenesí de las espadas;

yo aquí velando, los desiertos ojos

quemado por el soplo de la nada,

las negras naves y los negros campos

vacíos de sus oros y sus lacras.

Yo aquí temblando en la vigilia ciega

rodeado por un sueño de cien alas,

vestido por mi llanto me arrodillo

mientras vuela mi sangre en nieve airada.


Sobre este muro frío me recobran.

Oigo el rumor de los medidos pasos.

Canta la noche en fuga por mi muerte,

y el alma sale de mi rostro blanco.



Atalaia


Sobre este muro frio me deixaram

com a sombra cingida à garganta

onde oprime os seus brotos de tempestade

um canto vivo até se quebrar em brasas.

Eu aqui enquanto o sonho os despoja

e em sonhos comem a sua mentida baga

para se erguer nas veias da aurora

papas em cinzento do seu sorriso vão;

eu aqui enquanto os sábios inocentes

e os tranquilos de casa crocante

dormindo abaixo, e aprendendo o frio

dos seus mármores estreitos descansam;

eu aqui viravoltado pelo vento negro

que o cheiro da noite desampara,

os cabelos fundidos em raízes

que vão abrindo turbulentas lamas;

eu sozinho entre planetas condenados

que à procura dos seus ossos se desmancham

-a idade do mundo neste pobre sangue

que entre as falências da sua história clama-

eu aqui perturbado pela paz bravia

que com sagazes icebergues me aplaca,

sentindo entre as medulas ausentes

o frenesi intenso das espadas;

eu aqui velando, os olhos desertos

queimado pelo sopro do nada,

os navios negros e os campos negros

vazios de seus ouros e seus flagelos.

Eu aqui tremendo na vigília cega

rodeado por um sonho de cem asas,

vestido com o meu pranto me ajoelho

enquanto o meu sangue voa na neve.


Nesta parede fria sou recuperada.

Ouço o rumor dos passos medidos.

Canta a noite em fuga pela minha morte,

e a alma sai do meu rosto branco.


30 novembro 2022

américa femat

 

Migración


Debiera toda imagen ondulante en mí extinguirse,

debiera guardarse en la caracola de un vientre;

no como un castigo, sino como signo de regresión.

Guardarla, bajo la intimidad de una edad prehistórica,

casi inaccesible.

Debiera, asfixiarla bajo el silbido de algún resuello.

Tapar en un frasco vacío mi voluntad de engendrarse cósmica.


No necesito aferrarla, he dicho, ¡levántate y anda!

La hija sembrada en mi espejo no hunde esperanzas,

no promete dar riego a una tierra inexistente.


Será que el siseo del tren se ha llevado los pasajeros murmurantes.

Un viaje es un monstruo que acaricia y comprende su lenguaje.

Debiera abrirse la garganta a su cascabeleo;

no aseguro nada, estoy desnuda “le he nombrado suficiente”

Aún así; no puedo jurar, que no habrá migraciones este año.



Migração


Deve toda a imagem ondulante em mim extinguir-se,

deve guardar-se na concha de um ventre;

não como castigo, mas como sinal de regressão.

Guardá-la, sob a intimidade de uma idade pré-histórica,

quase inacessível.

Deveria, sufocá-la sob o silvo de algum sopro.

Tapar num frasco vazio a minha vontade de se gerar cósmica.


Não preciso de a segurar, disse, levanta-te e anda!

A filha semeada no meu espelho não afunda esperanças,

não promete irrigar uma terra inexistente.


Será que o uivo do comboio lavou os passageiros murmurantes.

Uma viagem é um monstro que acaricia e entende a sua linguagem.

Deve abrir-se a garganta à sua cascavel;

não garanto nada, estou nua "falei dela que chegue"

Mesmo assim; não posso jurar que não haverá migrações este ano.


29 novembro 2022

giselle lucía navarro

 

Vórtice


Las mujeres musulmanas aprendieron a cubrir su cabeza.

Solo los ojos podían exponerse al desastre de las calles.

Sus ojos, única brecha posible

entre el blindaje de la carne y el hiyab.


La tela es la circunstancia de estar muda.

Pareciese que el silencio es una marca del miedo.

Una mujer que calla no es una mujer que acepta,

sino una mujer que piensa.

A las mujeres, como a los hombres

se les debe indagar siempre a través de los ojos.


Las musulmanas

saben cómo cuidar la nitidez del kohl

alrededor del iris.

El acto de purificación

va en los colores y palabras duras.

En las madrugadas sus cabezas se encendían.


A veces fue necesario

evacuar los pensamientos

para llegar a equilibrar el sueño,

estampar desasosiegos

y disfrazar los versos en masnaví.


La verdad es sagrada,

por eso debe ser cubierta con metáfora.

No conviene que el cerebro inoculado la trastoque.

Los papeles deben ser cubiertos del esposo.

La cabeza es un órgano valioso

que debe ser protegido del hambre y los disparos.

Una mujer sabia es más peligrosa

que un arma en las manos de un loco.



Vórtice


As mulheres muçulmanas aprenderam a cobrir a cabeça.

Só os olhos se podiam expor ao desastre das ruas.

Os seus olhos, única brecha possível

entre a blindagem da carne e o hijab.


O tecido é a circunstância de estar muda.

Parece o silêncio ser uma marca do medo.

Uma mulher que cala não é uma mulher que aceita,

mas uma mulher que pensa.

As mulheres, como os homens

devem ser sempre indagados através dos olhos.


As muçulmanas

sabem como cuidar da nitidez do kohl

à volta da íris.

O ato de purificação

vai nas cores e nas palavras duras.

Nas madrugadas as suas cabeças incendeiam-se.


Por vezes foi necessário

evacuar os pensamentos

para conseguir equilibrar o sono,

provocar desassossegos

e disfarçar os versos em masnavi.


A verdade é sagrada,

Por isso tem de ser coberta com metáfora.

Não convém que o cérebro inoculado a mexa.

Os papéis têm de ser cobertos pelo marido.

A cabeça é um órgão valioso

que deve estar protegido da fome e dos disparos.

Uma mulher sábia é mais perigosa

que uma arma nas mãos de um louco.


28 novembro 2022

cristina guzmán

 

en el gemido


Al agua se lanza

sus senos rozan las burbujas

en el torrente

la otra la abraza y atan sus lenguas

hasta quebrar el oxígeno

decir una, es decir la otra; sucumben

una escorrentía espesa subyace

en el gemido va el nudo: libertad y cese



no gemido


Á água são lançados

os seus seios roçam as bolhas

na torrente

a outra abraça-a e amarram as suas línguas

até esgotar o oxigénio

dizer uma, é dizer a outra; sucumbem

um escorregão espesso subjaz

no gemido vai o nó: liberdade e cessação


27 novembro 2022

kelly martínez-grandal

 

Piedras de sal


Guarda la aguja, los hilos,

no aprendimos el arte del zurcido invisible.

Un manto de cicatrices levanta sobre la arena.


Habrá que zarpar de nuevo

con otras velas para este barco,

sin islas que recuerden a Ítaca,

aguas

con ballenas menos blancas.

Habrá que construir un mar.


Levanta el ancla, arde la casa,

rema conmigo.

No pasemos con tristeza esta llanura,

no crucemos la mirada sobre el hombro.



Pedras de sal


Guarda a agulha, os fios,

não aprendemos a arte da queima invisível.

Um manto de cicatrizes sobe sobre a areia.


Teremos de zarpar de novo

com outras velas para este barco,

sem ilhas que lembrem Ítaca,

águas

com baleias menos brancas.

Teremos que construir um mar.


Levanta a âncora, queima a casa,

rema comigo.

Não passemos com tristeza esta planície,

não cruzemos o olhar sobre o ombro.


26 novembro 2022

kenia martín padilla

 

La calle se vuelve ciudad


La ciudad

es una ensalada de rostros.

Cada rostro lleva

un lunar por condimento

con su aliño de tristeza.

Yo quisiera poder raptarlos todos

y guardarlos en los bolsillos

de mi chaqueta.

Tendría así una chaqueta de lunares

llena de tristezas ajenas.



A rua torna-se cidade


A cidade

é uma salada de rostos.

Cada rosto traz

uma verruga por tempero

com o seu molho de tristeza.

Gostava de os poder raptar a todos

e guardá-los nos bolsos

do meu casaco.

Teria assim uma casaco de bolinhas

cheio de tristezas alheias.


25 novembro 2022

clara lecuona varela

 

Las aldabas del tiempo


El humillo que se eleva

entre tus piernas

es una imagen insuficiente

de las tantas que provocas.


Yo, quise cantar una canción

que te inmortalizara.

Dibujarte, desnudo

sobre un caballo al óleo,

que trota en la arena,

mira hacia el poniente

se torna inmóvil

y apacible.


Pero cuando el sol

se tiende sobre el mar

mi sexo, húmedo

como las anémonas

aguarda.


Mientras, la luz

golpea los ojos del caballo

que se ha detenido

para siempre

-eso parece-

Su espinazo tiembla

imperceptible

como si las manos de Dios

lo acariciaran.


Pero las manos de Dios

son las de un muchacho

núbil

que se corre en el sabor

de mi lengua tibia

en mi sinuosidad de anémona.


El caballo te deja caer

sobre la arena

(suavemente)

comienza a entrar en el agua

como cada atardecer

en la levedad del tiempo

y sus aldabas.



As aldrabas do tempo


A presunção que se eleva

entre as tuas pernas

é uma imagem insuficiente

das muitas que provocas.


Quis cantar uma canção

que te tornasse imortal.

Desenhar-te, em pelo

sobre um cavalo a óleo,

a trotar na areia,

olhe para o poente

torna-se imóvel

e aprazível.


Mas quando o sol

se declina sobre o mar

o meu sexo, molhado

como as anémonas

aguarda.


Em interim, a luz

atinge os olhos do cavalo

que se deteve

para sempre

- assim parece-

A sua espinha treme

imperceptível

como se as mãos de Deus

o acariciassem.


Mas as mãos de Deus

São as de um rapaz

núbil

que corre no sabor

da minha língua quente

na minha sinuosidade de anémona.


O cavalo deixa-te cair

sobre a areia

(suavemente)

começa a entrar na água

como em cada entardecer

na leveza do tempo

e suas aldrabas.


24 novembro 2022

teresa garbí

 

Perro


Su inteligencia, medida en humano, es limitada. Desde su punto de vista –si lo tiene, porque él no juzga, ni sabe qué es eso de ser inteligente o no–, nosotros somos quienes carecemos de facultades y, por eso, por pura bondad, nos protege.

En la vejez te ha llegado la hora de la generosidad: le haces compañía, el más alto valor que puede regalarse; acaricias su cabecita y sus barbas; le hablas. Recibes algún suspiro, un lametón. Si pudieras volver atrás, ofrecerías sólo estar al lado, callada, sin nada más que tu compañía. Se lo ofrecerías a tus padres, a tus amigos perdidos. Serías un perrillo bueno para ellos. Su corazón, que ya no vive, habría palpitado en tu respiración de perro.

La entrega animal: el silencio, la tierra blanda bajo el cuerpo leve, los árboles muertos de sed, que siguen cantando y que llueven hojas amarillas, bajo un cielo seco. Ese cuerpo menudo que suspira de placidez mientras se va la vida.



Cão


A sua inteligência, medida em humano, é limitada. Do seu ponto de vista -se o tem, porque ele não julga, nem sabe o que é isso de ser inteligente ou não-, nós somos quem carecemos de faculdades e, por isso, por pura bondade, nos protege.

Na velhice veio-te o tempo da generosidade: fazes-lhe companhia, o mais alto valor que se pode oferecer; acaricias a sua cabecinha e as suas barbas; falas-lhe. Recebes um suspiro, uma lambidela. Se pudesses voltar atrás, oferecer-te-ias apenas para ficar ao lado, quieta, sem nada mais que a sua companhia. Oferecer-lo-ias aos teus pais, aos teus amigos perdidos. Serías um cachorrinho bom para eles. O seu coração, que já não está vivo, teria palpitado na tua respiração de cão.

A entrega animal: o silêncio, a terra macia sob o corpo leve, as árvores mortas de sede, que continuam a cantar e chovem folhas amarelas, sob um céu seco. Esse corpo que muitas vezes suspira de placidez enquanto a vida se vai.


23 novembro 2022

concha garcía

 

Postal


Largas cordilleras que no acaban

desfilan moviéndose tras las nubes,

una bandada de pájaros lejanos

irrumpe con sus aleteos

y todo parece cercano. También

esos hombres y mujeres atraviesan

el océano y algunos mueren a nado

para llegar a tocar tierra.

Ahora se ve más cerca.

La linde que atraviesa un joven

dejando tras de sí grupos exhaustos.

Les ponen una manta encima

tiritan con los ojos abiertos

y piensan en la fotografía de las montañas

del país donde han llegado.



Postal


Longas cordilheiras que não acabam

desfilam movendo-se atrás das nuvens,

um bando de pássaros distantes

irrompe com as suas asas

e tudo parece próximo. Também

esses homens e mulheres atravessam

o oceano e alguns morrem a nadar

para chegar a terra.

Agora vemos melhor.

A fronteira atravessada por um jovem

deixando atrás de si grupos exaustos.

Põem-lhes um cobertor por cima

tiritam com os olhos abertos

e pensam na fotografia das montanhas

do país de onde vieram.


22 novembro 2022

carmen crespo

 

ÁSPEROS estambres entre los dientes el polen

resbaladizo en la lengua un soplo un soplo y luego


la rigidez del junco de las patas rotas de los insectos

en la carne amarilla de las manzanas y otro soplo


otra voz otro gorjeo convertido en red

en cesta llena de peces donde rebañar las branquias


el coágulo en las vísceras o remover su aceite

sus círculos diseminados sobre el adobe


donde las argollas donde las riendas para azuzar

al animal que era un potro que era un palo unido


a una encina por un cordel por un pellejo

lamiéndonos las miajas el picón las piteras


mientras los leones rondaban la casa

y el asombro era un nódulo en el corazón del fémur



ÁSPEROS estames entre os dentes o pólen

resvaladiço na língua um sopro um sopro e então


a rigidez do junco das patas quebradas dos insectos

na carne amarela das maçãs e outro sopro


outra voz outro gorjeio convertido em rede

em cesta cheia de peixes para cortar as guelras


o coágulo nas vísceras ou remover o seu óleo

os seus círculos espalhados sobre o adobe


onde as argolas onde as rédeas para empurrar

o animal que era um potro que era um pau unido


para uma azinheira por um cordel por uma pele

lambendo-nos as migalhas o picante as boquilhas


enquanto os leões rondavam a casa

e o espanto era um nódulo no coração do fémur


21 novembro 2022

adriana hoyos

 

Esa que canta hacia dentro

Esa que ausculta los sonidos

Esa que busca en la niebla

Y cose los silencios soy yo


En la fractura del cielo

En la dureza de la piedra

En el filo de la imaginación

Murmuro en el origen


Revelo un instante

-Sustancia de la memoria-

Mientras palpita en el aire

La risa áspera del tiempo


No soy la que escribe

Soy la que pregunta


No soy la que sabe

Soy la que cree


No soy la que conoce

Sino la que descifra


No soy la que se arrodilla

Sino la que se levanta

En la gracia de su linaje



Aquela que canta para dentro

Aquela que ausculta os sons

Aquela que procura no nevoeiro

E costura os silêncios sou eu


Na fratura do céu

Na dureza da pedra

No fio da imaginação

Murmuro na origem


Revelo um instante

- Substância da memória -

Enquanto palpita no ar

O riso áspero do tempo


Não sou quem escreve

Sou quem pergunta


Não sou quem sabe

Sou quem acredita


Não sou a que conhece

Antes a que decifra


Não sou a que se ajoelha

Antes a que se levanta

Na graça de sua linhagem