15 maio 2016

mariana lópez



No tengo conocidos, quedé relegada como un papel
de origami… tal vez hoy soy un cisne, ayer un
cangrejo. Es difícil tomar una forma. Sólo replegarse,
poner un brazo con un brazo, hacer coincidir las dos
piernas, como un insecto. Un ojo con un ojo, egipcios,
y ya las vocales coinciden, hasta desaparecer. ¿Cómo
contar una historia?
Me enfermé, me agarró la enfermedad que les agarra
a los colores, que se contaminan de otros hasta que
no se puede distinguir qué son.
Mi cerebro de pulpo se despliega y contorsiona, con
sus brazos agarra autos, destruye puentes y avenidas.
Puede caer sin estar arriba de algo, confunde los
objetos. Maneja velocidades distintas con los
tentáculos.
Cada uno de sus ocho brazos tiene veinte discos
gelatinosos que poseen sensibilidad, y ese hormigueo
de estímulos confunde al pulpo: pierde la noción de
espacio y de verdad.



Não conheço ninguém, fiquei relegada como um papel
de origami… talvez hoje seja um cisne, ontem um
caranguejo. É difícil tomar uma forma. Só enconchar,
por um braço com um braço, fazer coincidir as duas
pernas, como um insecto. Um olho com um olho, egípcios,
e já as vogais coincidem, até desaparecer. Como
contar uma história?
Adoeci, fui apanhada pela doença que apanha
as cores, que se contaminam de outros até
não se conseguir distinguir o que são.
O meu cérebro de polvo desprega-se e contorciona-se, com
os seus braços agarra carros, destrói pontes e avenidas.
Consegue cair sem estar em cima de alguma coisa, confunde os
objetos. Maneja velocidades distintas com os
tentáculos.
Cada um dos seus oito braços tem vinte discos
gelatinosos que possuem sensibilidade, e esse formigueiro
de estímulos confunde o polvo: perde a noção de
espaço e de verdade.