29 julho 2015

angela álvarez sanz



mi nacimiento o nacimiento

La tierra no me sirve de soporte.
No me basta con el cuerpo que da vida.
Las pezuñas del mamífero se agarran
al lugar ilimitado, al cuerpo de la tragedia.
La tierra no me sirve como círculo.
Hilo las raíces que me atan únicamente a mi condena.
Sueño con un ánfora que no me obligue
a derramarme ciegamente, con un embrión
que me otorgue el don del nacimiento.
Más allá del elemento creador,
el mar es mi verdugo
y mi carne un signo en el que clavar puñales.
Algunas noches, doblegada por el miedo,
dejo a los salvajes devorar los restos del naufragio.
Luego, abandono a la criatura
sola,
enroscada en la jauría,
y erijo un altar en el que mi cuerpo se sostiene como muerte

o meu nascimento ou nascimento

A terra não me serve de suporte.
Não é suficiente o corpo que dá vida.
Os cascos do mamífero agarram-se
ao lugar ilimitado, ao corpo da tragédia.
A terra não me serve como círculo.
Fio as raízes que me atam unicamente à minha condenação.
Sonho com uma ânfora que não me obrigue
a derramar-me cegamente, com um embrião
que me outorgue o dom do nascimento.
Mais além do elemento criador,
o mar é o meu verdugo
e a minha carne um signo par cravar punhais.
Algumas noites, dobrada pelo medo,
deixo os selvagens devorar os restos do naufrágio.
Depois, abandono a la criatura
sozinha,
enroscada na matilha,
e erijo um altar em que o meu corpo se sustem como morte.