08 fevereiro 2013

valeria tentoni



Ajuar

Para mis cuarenta hijos cuarenta ajuares
canastas colmadas de ortigas
y muérdagos,
perlas envueltas en hojas de parra.

La cinta con la que se ahorcan
los pájaros en un lugar oscuro.

Un cencerro de plata.

Un recuerdo de cuando fui joven y entera, puro tallo
y nada en mi cuerpo articulaba con otro
y sola venía y sola iba y sola contestaba
ninguna pregunta.

Pero no tengo para darle de mamar a cuarenta
no tengo más que un corazón tullido y mostrenco
un corazón duraznero enfermo de podredumbre morena
que ataca primero las flores y después el fruto
y después, después el árbol.

Que me crezco encima de mí y por debajo de mí y
de mis ramas se columpian
cuarenta hijos muertos
de los cuales he parido ninguno.

Cuarenta hijos todos de mí entenados.


Enxoval

Para os meus quarenta filhos quarenta enxovais
canastas cheias de ortigas
e visco,
pérolas envoltas em folhas de parra.

O laço com que se enforcam
os pássaros num lugar escuro.

Um chocalho de prata.

Uma lembrança de quando fui jovem e inteira, puro talo
e nada em meu corpo se articulava com outro
e sozinha vinha e sozinha ia e sozinha respondia
a nenhuma pergunta.

Mas não tenho para dar de mamar a quarenta
não tenho mais que um coração tolhido e mostrengo
um coração pessegueiro doente de podridão morena
que ataca primeiro as flores e depois o fruto
e depois, depois a árvore.

Que me cresço em cima de mim e por baixo de mim e
dos meus ramos se balanceiam
quarenta filhos mortos
dos quais não pari nenhum.

Quarenta filhos todos de mim enteados