29 dezembro 2009

estrella gómes

Dibujar alas
con saliva en tu espalda
nunca fue mi intención

Sentarme estática
a contemplar
tus ojos en otoño
no fue un pasatiempo
sino una razón de sobrevivir

No encontramos
el mar en la acera,
ni confundí mis dedos
con raíces.
Pocas veces mi piel
sonrió al verte
y siempre suicidaste
mi sudor

Me sembraste noches
en las pupilas
supiste hacer
que permaneciera en mí
el invierno

Pudimos observar
como la gente caía
como lluvia
en mis espejos,
y nunca sentí
el ardor de la vida


Desenhar asas
com saliva nas tuas costas
nunca foi a minha intenção

Sentar-me extática
a contemplar
os teus olhos em Outono
não foi um passatempo
mas sim uma razão para sobreviver

Não encontramos
o mar nos passeios
nem confundi os meus dedos
com raízes
poucas vezes a minha pele
sorriu ao ver-te
e sempre suicidaste
o meu suor

semeaste-me noites
nas pupilas
soubeste fazer

com que permanecesse em mim
o inverno

Pudemos observar
como a gente caía
como chuva
nos meus espelhos,
e nunca senti
o ardor da vida